quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Filho é quem cria


Nasci no interior de São Paulo, morei no Paraná, de lá  fui para Rondônia de onde me mudei há pouco mais de um ano para voltar a ser paulista. Das saudades que deixei, a maior delas sempre volta ao que escrevo: o amor por meu falecido pai, a quem me refiro sempre como o homem da minha vida. Tudo o que me lembra seu Benedicto mexe com algo dentro de  mim  que não tem botão de desliga.

O que eu não esperava  era  que um mês de molho em casa, por conta de uma cirurgia, com os cuidados mais que especiais que recebi da esposa e duas filhas, pudesse despertar esse algo dentro de mim de forma tão viva.

É muito duro e complicado você não poder se movimentar muito. Depender dos outros para quase tudo e ter que pedir, incomodar, dar trabalho e preocupação. O afastamento é muito maior do que um período de licença médica para reabilitação.
Também por isso, de volta ao trabalho hoje, parei pra pensar no quanto minhas três mulheres se dedicaram nos dias de repouso forçado; e ainda se dedicam:  ajudando  na minha  reentrada ao mundo do trabalho e do convívio fora do quarto e sala.

Ao pensar nas filhotas pensei em mim como filho. Enviei uma carta de cobrança ao passado. Nela eu pergunto se fui, em algum momento, tão bom com meu pai quanto elas estão sendo comigo. Se amei de forma tão intensa como sou amado. Se ofereci tantos sorrisos e frases… e café pronto, com uma boa fatia de bolo de fubá com margarina.

No meu aniversário, dia desses, vi que estou chegando perto da idade que ele tinha quando morreu. Jovem demais para ir tão longe sozinho. Não como medo de que aconteça o mesmo comigo, nada disso. Pensei nisso porque ainda estava lá no passado, cobrando o filho que um dia eu não sei se fui.


Não consegui desligar ainda. Também não é pra menos. Comecei agora a pensar em quem fez o bolo. E no marido que devo ser. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Para São Paulo

De pau e pedra

São Paulo faz aniversário, mas é uma cidade que chora. Tem ondas de lágrimas nas ruas alagadas e choro contido nos semblantes silenciosos do metrô lotado. Quer gritar sua incrível história, sobre como se tornou o gigante que  cresceu tanto a ponto de mal conseguir ver os próprios pés. 

Fascinante  em explosões de arte e cultura, explode gente também.
Tem um sotaque tão seu, mesmo sendo de tantos. 
Exemplo de lugar que a gente ama ou detesta. Às vezes experimenta esse amor e ódio  num mesmo dia. Basta a garoa virar tempestade.

A metrópole é protagonista. Desperta muita inveja. Nenhum lugar é assim. Em São Paulo você encontra o mundo inteiro. Tem um planeta espalhado entre milhões e consegue perder  o eu de cada um numa correria que enreda, fisga, vicia, apaixona e silencia o semblante no metrô lotado. 

No quarto do hotel, de onde escrevo, vejo a pequena mala que fecho amanhã para voltar pra casa. Abaixo o volume da TV, pra ouvir a cidade ali fora. Tão poderosamente grande, que ao invés de acolher nos  recolhe. E ainda assim é mágica, encantadora, misteriosa...

Um dia o poeta cantou que quando chegou por aqui ele nada entendeu. E quem entende?
São Paulo não se explica. Pode ser comparada ao santo que lhe empresta o nome. O apóstolo que  escreveu sobre o amor de tal forma que nem Shakespeare conseguiria. 
Se eu falasse a língua dos anjos e não tivesse amor, eu nada seria. 
Pronto, eis o presente de aniversário ideal: doses maiores de amor. São Paulo agradece. Não o santo, que já está no céu, mas a cidade, que não quer e não merece virar um inferno.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Lilico foi um dos meus  heróis da infância. Não o personagem de  TV. De quem meus pais eram fãs. Mas o cachorro lá de casa. Cujo nome foi dado por causa do Lilico da telinha; engraçadíssimo com seu bordão no programa Balança  Mas Não Cai: “Alô Brasil...aquele abraço”, e mais tarde na Praça da Alegria, com o homem do bumbo cantando “ Tempo bom, não volta mais... saudade de outros tempos, de paz”.


Pois então, ele é quem inspirou o batismo do vira-lata mais inteligente e fascinante que tivemos. Protagonista de um dos episódios marcantes na vida da família. Pelo menos é assim que ainda enxergo.  Cada um vê  com a dimensão que a emoção permite e os olhos da alma alcançam.

Eu estava jogando bola no campinho ao lado de casa, coisa que  fazia até mesmo quando chovia, e de repente começou o alvoroço que havia quando a carrocinha aparecia no bairro. Os homens que recolhiam os cachorros na rua, eram os vilões que toda criança odiava. Ainda mais com as histórias de que os cãezinhos pegos sem coleira iam direto para a fábrica de sabão.
Curioso como os vira-latas  eram resistentes e cumpriam muito bem o seu papel de membro da família sem pedigree. E nosso Lilico era o cara. Interessante também como a liberdade deles era incrivelmente recompensada com sua fidelidade. Sem coleira. Era assim que  viviam. Não que elas fossem caras. Mas o vira-latas  que entrava pela cozinha como membro da casa era um ser livre. Mesmo tendo suas obrigações familiares. Por isso, para mim, a carrocinha era o carro do inferno.

Naquela manhã, quando a gritaria da meninada aumentou, meu precioso Lilico foi capturado. Levaram o xodó dos Domingues e meu grande amigo. Entrei em casa, chorei atrás da porta do quarto, como poucas vezes. Até que minha mãe gritou alto, num rompante de alegria que nem era comum em seu comportamento mais na dela mesmo. Lilico havia voltado. Correu para debaixo da cama, onde também corri para encher meu pequeno herói de beijos. As lambidas eram os beijos dele.

Poucos minutos depois um homem bateu em casa para falar com dona Paulina. Disse que era da carrocinha e que um dos cachorros havia conseguido levantar a tramela da porta do furgão fazendo com que todos os cães escapassem. A rua ficou cheia e os vilões teriam que recomeçar tudo de novo.
Como quem não tinha nada com isso, mas desconfiada de que o autor da façanha era o nosso Lilico, ela despistou, disse que estava preparando o almoço e voltou para dentro. Me contou o caso e rimos para a vida toda. Se de fato foi ele quem causou a lambança eu não sei dizer. Mas para mim foi! Meu herói e o maior de todos para a cachorrada do bairro. Tempo bom.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Frases Domingueiras parte I


1.    O arrependimento é um anjo bom. Voa junto com o perdão e a lucidez e aponta o trecho da estrada onde podemos voltar e recomeçar.



2.    Cuidado com o inimigo que sorri e te elogia. Prefira o amigo que se cala e te olha com olhos de censura e cuidado.



3.    Se você tem certeza que fez algo seguro de que era o melhor. Se a bondade permeava suas ações, descanse.  A razão é amiga íntima do tempo.



4.    No esforço de parecer global, esqueceu-se de como era andar na própria calçada.



5.    Não é preciso esconder a própria crença se ela é baseada no amor.



6.    Ser  membro de determinada igreja ou  religião  pode te fazer mais popular, não necessariamente mais feliz.



7.    A televisão tem teclas para mudança de canal e tem uma maior e muitas vezes mais importante, aquela que desliga o aparelho.


8.    De todas as redes a que mais gosto é aquela estendida na casa da praia.



9.    Ando com saudade de Deus. Não aquele que os homens inventaram. Daquele que inventou os homens.



10.                      Eu acredito em seres de outro planeta. Não sei se eles acreditam em mim.



11.                      A necessidade e a dor do próximo despertam o amor, o cuidado e o senso de justiça. Também nos fazem ver, muitas vezes, o quanto nosso problema não era tão grande assim.



12.                      De repente teve um branco. Do nada surgiu uma vontade enorme de ficar calado. No meio do silêncio vazio, um alívio.



13.                      Quando era pequeno sonhava em voar para a lua. Hoje fica irritado quando dizem que vive lá.



14.                      A verdade dói,  é verdade. E dói de duas maneiras. Na hora que é dita e com o tempo, de forma muito maior, se não for levada a sério.



15.                      Não é culpado só o líder que engana as pessoas. A sociedade  desinformada e com pouca educação  e governantes que investem para que isso permaneça assim, também deveriam  ir  para o banco dos réus.



16.                      A imagem que temos do bandido é de alguém com máscara, touca ou algum tipo de disfarce. Seu linguajar, a frieza, a falta de humanidade e respeito,  fazem parte do pacote. Mas, o bandido de farda e o que usa paletó e gravata são mais perigosos e mortais. Nem tem o trabalho de disfarçar nada. Se seguram em leis que vão do nada a lugar nenhum e na ignorância de quem os aplaude e reverencia.



17.                      A senha para acessar o amor não é composta por números. Ela é formada por  palavras, que, se nåo forem acompanhadas por atitudes de serviço e cuidado também não funcionam. O acesso fica negado.




18.                      Os ansiosos também herdarão o Reino, mas não tão rápido quanto querem.



19.                      Quando um tolo fala alto para que todos o escutem, ele quer chamar a atenção para o barulho que o vazio de sua alma é capaz de fazer.




20.                      Fosse eu alguns anos mais jovem, estaria pensando sobre o que fazer da minha vida. Hoje, mais maduro,  já sei o que não fazer.



21.                      Não quero voltar a ser criança. Quero que o sonho que um dia tive, de ver e viver num mundo melhor, não morra. Quando ele morrer, a criança que existe em mim também morrerá.



22.                      O mau às vezes nos cala. Não porque grita, fala alto ou é capaz de explosões e ruídos assustadores, mas por usar o silêncio ensurdecedor da mentira e o disfarce da bondade.



23.                      Quem disse que o coração não dói  não sabe o que é dor ou não tem coração.



24.                      Ser amigo é o primeiro passo a ser dado para quem quer ter amigos.



25.                      Meu medo é que as pessoas com que eu contava para mudar o mundo  tenham  se afogado no mar de ganância, dinheiro e mentira. E que eu me veja só,  numa ilha deserta, apenas com histórias para contar.



26.                      A insônia é um sinal de que não conseguimos desligar, mesmo depois que a bateria acaba.



27.                      Não desanime se  estão  te jogando de um lado para o outro, talvez você seja a bola da vez.



28.                      Seja como uma árvore frondosa, forte e enraizada. Dê muitos frutos. E cuide para que tua sombra não impeça outros de crescerem ao teu redor.



29.                      O amor e a saudade fazem com que alguns mortos permaneçam tão vivos.



30.                      Mortos mesmo estão os hipócritas, os arrogantes, os materialistas, os egoístas e todos aqueles que não suportam ver alguém feliz e realizado.



31.                      Das bruxas não tenho medo. Temo aqueles que se dizem santos e de posse do que acreditam podem  me queimar a qualquer momento.



32.                      Torcer ou jogar pela seleção não tem nada a ver com defender a pátria ou o futuro da nação. O País precisa de pessoas que ataquem os  males causados pela pobreza, violência, falta de saúde e educação. Não é da Copa que precisamos, mas da casa toda arrumada.


33.                      O problema não é a rotina ou a burocracia. O problema está nas pessoas que se deixaram escravizar por elas e não sabem viver de outro jeito.



34.                      Acredite, aquela compra, aquele produto, a sensação de ter, não trarão paz duradoura e alegria verdadeira. Isso vem de acordo com o que somos e damos, não graças ao que podemos comprar.



35.                      Simplicidade é aquilo que muitos perderam por causa do dinheiro ou esqueceram em função do status. Humildade é dom, algo que quem tem não perde, porque pratica diariamente.



36.                      Nem todos os pontos do quadro da nossa vida são coloridos. Alguns são invisíveis porque foram pintados com lágrimas.



37.                      Seja gentil. Tenha um comportamento amável e cheio de gratidão. Por mais que isso não pareça importante agora. Quem tem asas é a imaginação, o reconhecimento e os resultados caminham um passo de cada vez e ainda param para descansar de vez em quando. Mas eles vão chegar, se você não fechar as portas.
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Domingues Jr.
twitter: @dominguesjunior
facebook: benedictodominguesjunior

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Como uma onda sem mar (navegue com moderação)



Antigamente navegar era poesia. Nos remetia ao mar, ao desconhecido, aos desafios da viagem rumo a algum norte qualquer.
Não sou contra a nova forma de se navegar. Essa que se faz na ponta dos dedos, conectada, em rede, cheia de abreviações, exclamações, fotos, vídeos e admirações.
Navego assim também, mas sem a preocupação de ter o melhor touch, o mais moderno smart ou a conexão mais poderosa. Não vivo a neura de ter  um iate no bolso ou na palma da mão. Um bom barco que me leve, faça chegar e receba minhas mensagens já está bom. Não quero depender dele para tudo. Nunca fui de morar em alto mar.

Gosto do chão, do cheiro da terra, do barulho da rodas dos carros quando passam na poça d'água.  Gosto de uma boa conversa. De ouvir e falar, de rir e chorar com a pessoa perto.
Num show, não quero gravar  aquela canção. Quero que ela fique guardada aqui dentro, letra, música e momento.

Claro que a foto do flagrante, a denúncia que desbloqueia o gesso de uma mídia louca para não dizer, são benefícios, conquistas, avanços inquestionáveis. Também faço uso dessas armas quando navego. 
Mas acho triste, quando numa roda de amigos, ou numa mesa em família, um aparelhinho na mão de quase todos crie uma enorme distância de um metro ou dois. Ali tão perto, vão ficando longe. Palavras que antes eram faladas, não se ouvem mais, por conta do barulho das ondas.

Por favor não pense que estou querendo discursar na base do "sou do tempo em que". Nem que sou daqueles que querem caçar as bruxas on line e queimar os smartphones em praça pública. Queimar não, nunca. E meu barquinho? Se fosse assim eu também sairia perdendo. Não navegaria mais...

Estou falando de aprender a desligar, de vez em quando. Parar na praia. Descer para ver as pessoas. Olhar para elas, comer com elas, desfrutar de sua companhia. Sem pressa. Sem conexão via satélite, rede, parabólica, fio, sem fio, ou via rádio. Como é bom um bate-papo sem pegadinhas gravadas e postadas. Uma conversa só com histórias contadas.

Ah, diriam alguns, dessa tal modernidade ninguém escapa, não adianta. Todo mundo vai acabar entrando no mesmo barco. 
Pode ser.  Sei que é forte a corrente dessas águas. 
De qualquer modo, prefiro acreditar que ainda tem gente que prefere gente. Com carne, osso e alma. Gente que consegue desligar o celular na hora de um filme, por exemplo. Como fazíamos quando o cinema era uma viagem que não permitia interrupção, nem para ir ao W.C.. Por falar em banheiro, navegar  aí  já é demais, desligue isso agora! Pipipipipi....

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Apertem os cintos


Viajar de avião já foi um luxo. Era quase um acontecimento sobrenatural ter alguém na família que tivesse voado. Isso   elevava tal pessoa  à  categoria de ídolo. Fosse um tio, ou um primo que morasse no exterior, ou algum lugar distante, a experiência deles no ar virava assunto de final de ano ou tema importante em qualquer reencontro. Voar era para os pássaros, e alguns um pouco mais endinheirados.

Hoje isso mudou. Os aeroportos estão parecidos com rodoviárias e, em alguns casos, piores que algumas paradas de ônibus. Atolados de gente, com voos a toda hora e para qualquer lugar, lamentavelmente eles não evoluíram. Os usuários também não. E pior, os funcionários e empresas de aviação idem. Portanto, viajar de avião está muito longe de ser uma experiência agradável. As filas enormes, a falta de conforto, a inexperiência e falta de aptidão de trabalhadores mal pagos e mal treinados, e a incrível falta de educação da maioria, tem transformado as viagens de férias em aventuras trash.

Só uma coisa continua dando a impressão de que voar é para os ricos: os preços cobrados nas praças de alimentação. Que de praça não tem quase nada e de alimentação muito pouco.

Copos d’água podem custar quatro reais, um pão com presunto e queijo batizado com qualquer nome inglês ou francês chega a 18. Para poder tomar uma geladinha ou um choppinho, enquanto se espera aquela conexão que levará mais de cinco horas, o cidadão precisa de uma boa conta ou um senhor crédito no cartão E corra logo com o pedido, pois tem muita gente faminta atrás de você e todos estão presos no mesmo lugar e querem comer, mesmo que o valor pago seja o igual ao de uma compra no supermercado.

Sair a retornar também é perigoso e caro. Táxis de aeroportos, em muitos lugares do Brasil, utilizam um preço único para a viagem ao centro das cidades. Mesmo que isso seja proibido. Aliás, o copo d´água cujo preço já deve ter aumentado enquanto escrevo, deveria ser proibido também. Parece até que é, mas quem deveria investigar, fiscalizar, criar mecanismos para mudar isso deve estar viajando neste momento. E possivelmente seu lanche será pago com dinheiro dos nossos impostos. 


Portanto, comece a levar uma marmita nas próximas viagens. Ninguém vai se escandalizar, já que a geração farofa viaja pela  mundo sem medo de abrir a tampa. Se ela apitar quando passar no detector de metais fale a verdade. Diga aos fiscais que você trouxe comida de casa. Duvido que algum deles vai  te recriminar. Lá na salinha de descanso suas marmitinhas também estão esperando para ser devoradas. Quem trabalha em aeroporto já sabe que a praça de alimentação é zona proibida. A não ser para os ricos, que geralmente voam de jatinho, longe da gentalha, gentalha…

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Porto entreaberto


Estou muito triste com essa nova onda de assaltos e violência em Porto Velho. Cidade com a qual mantenho forte vínculo histórico, afetivo e profissional. E para quem ainda me dedico, já que o maior investimento do Hospital hoje é na Capital de Rondônia. Sempre fui combativo nos programas, artigos, crônicas e comentários, sobre a insegurança da população dessa cidade. 
Hoje, pelo que vejo nos relatos de amigos, leio nas manchetes, ouço no rádio e acompanho pela TV, a situação piorou. Impressionante! Um lugar tomado de assalto. Em várias esferas, com e sem armas, e sempre com violência.
A violência da agressão física e verbal e a violência que segue doendo; já que a certeza de impunidade, o vazio da incompetência para acabar com o crime, o desassossego do abandono e o conformismo de governantes e até mesmo da sociedade, abrem alas para que mais criminosos apareçam.Engravatados ou não. Armados ou não.
Lamento, profundamente! Como vítima, que também fui, e alvo de ameaças, que sempre fui, sinto a dor da boca fechada de muitos e do grito sufocado da maioria. Inadmissível que tantos bandidos consigam fazer tanto durante tanto tempo, e quase nada ser feito.
Caso de polícia? Claro... Mas é caso de mobilização social também. Os moradores, internautas, contribuintes, não podem mais aceitar esse estado de coisas. O basta deve ser dado não somente nas urnas, já que elas também tem aprontado das suas.  O basta precisa ser dado aqui, nas redes, nas ruas, nos púlpitos, nos altares, nas reuniões, nas assembleias, nas conversas e manifestações organizadas. 
Uma cidade refém é uma cidade quase morta. Um povo violentado, humilhado, com medo de ser a próxima vítima, deve ainda ter uma força que resta, uma energia final para se erguer.  
Acredito muito que essa gente que foi capaz de construir uma cidade a partir de tantos idiomas, dialetos e sotaques é competente também para mudar isso. A capacidade de um povo é medida pelo caráter de sua história e a personalidade de quem viveu para construí-la.  
Porto Velho precisa quebrar a cadeia que prende sua gente e gritar pela liberdade de quem trabalha honestamente e não deveria ficar preso dentro de sua própria casa. Porto Velho precisa renascer. Mesmo sabendo que dói. Mesmo sabendo que haverá dissabores e barreiras a serem quebradas. Mesmo sabendo que reconstruir dá ainda mais trabalho. Mesmo sabendo que o inimigo não tem medo.