quinta-feira, 7 de março de 2019

Ter que fazer ou querer fazer



A diferença entre eu ter que fazer dieta e eu querer fazer dieta pode significar o resultado de uma vida realmente mais saudável e por muito mais tempo. E esse ter que fazer ou o querer fazer estão impregnados em nossa vida constantemente. Pro bem ou para o mal, a história está repleta de casos de líderes e liderados que fizeram a diferença na vida de muita gente por simplesmente decidir desenvolver algo, construir ou criar alguma coisa.

Quando falamos de Ambiente Feliz de Trabalho esse é um dilema diário. Na loja, na fábrica, no departamento, na associação, igreja ou sindicato, sempre há aqueles que são contratados ou escalados para uma tarefa e que simplesmente cumprem o que foi determinado, pedido ou até ordenado, porque tem que fazer aquilo, nada mais. É possível que muitos empreendimentos ainda sobrevivam, ou instituições e empresas se mantenham nesse estilo de comando e controle onde o colaborador tem que fazer e acaba fazendo. E ai dele se não fizer...

Mas há um outro cenário, e ele é imensamente mais gratificante, humano, verdadeiro, justo e feliz. Onde a equipe, inclusive os líderes que a inspira, tem desenvolvido, construído ou criado algo motivados por querer fazer aquilo.

Eis o dilema da nossa agenda. Num relacionamento, no local de trabalho, na escola ou faculdade, enfim, lá onde a cena da nossa vida se passa, pode ser detectada a infelicidade e doença de um ambiente pura e simplesmente por causa dessa diferença semântica.

Eu atendo aquele cliente porque quero ou por ter que atender e pronto? Seja lá o que  Deus quiser! Cumpro aquela tarefa? Termino a dieta? Vou à academia? Chego e saio do trabalho com a consciência de que aquilo que fiz o fiz pela razão mais agradável e doce de todas: eu queria fazer? Tive e tenho prazer nisso? Estou feliz fazendo o que faço?

Ah mas você fala isso porque não conhece a empresa onde trabalho. É possível! Mas saiba que em muitos aspectos elas são parecidas, só muda o endereço e o CNPJ.
Os problemas são quase os mesmos, os dramas e batalhas para alcançar um melhor desempenho passam obrigatoriamente pelo ser humano. Sendo assim, os ambientes felizes e os infelizes de trabalho acabam conversando num mesmo idioma, apesar de distâncias colossais no mapa. É de gente que estamos falando!

Mas não tenho dúvida de que é possível mudar o quadro. Deixá-lo mais vívido e agradável de se ver, por conta de mudanças pessoais de comportamento, que começaram, começam, ou ainda começarão após a decisão de querer fazer ao invés de ter que fazer. Perdoar? Amar? Ouvir até o fim? Fazer o serviço que não era meu? Esperar mais? E tantas outras interrogações? Sim, e digo sim de novo!! Uma atitude positiva em direção a fazer por querer pode nos levar ao topo de amar o que estamos fazendo e as pessoas com as quais isso está sendo feito. Basta querer!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A questão não é essa



Eis uma frase típica, utilizada pela maioria de nós, com o objetivo de parar o que o outro está dizendo e favorecer a direção do vento para o rumo que queremos. Não é bem assim é a frase prima-irmã dessa do título. Serve mais ou menos pra mesma coisa. Desconstruir o outro, seu raciocínio e abordagem.

O problema é que nosso saquinho enche logo. Andamos sem paciência. Ouvir até o fim, compreender, querer saber de fato, interagir de verdade, esperar os muitos níveis de comunicação verbal e não verbal se completarem, não é algo que os tempos atuais ofereçam como melhor saída.

Na maioria das vezes queremos que as coisas se resolvam logo. Maratona só a das séries. Nas conversas e relacionamentos a ampulheta derrama a areia muito rapidamente. É preciso virar página, mudar de canal, sair dessa, enfim, o acelerado coração não deixa o pensador dominar o pensamento. E as ideias de resolver tudo de qualquer jeito, tem feito com que as soluções sejam as piores possíveis.

Não estou falando de procrastinar. O velho empurrar com a barriga não se aplica ao texto nem ao contexto. Falo sobre o ouvir de verdade. Consideração e respeito são as palavras que completam esse quebra-cabeças.

A falta das duas tem tornado vidas infelizes, ambientes doentes e dores da alma mais fortes do que nunca.

Como alterar essa programação então e deixar o quadro mais bonito e completo?

Confesso que com esse nível de estresse do mar alto onde navegamos, essa é uma daquelas equações quase impossíveis. Necessita de uma avaliação sincera de nosso próprio estado de espírito e uma capacidade genuína na busca de descobrir se é o bem ou o mal que estamos entregando para as demais pessoas. Se os outros são os outros e só, ou tem algo mais neles que ainda nos desperta o amor, a solidariedade e a tolerância.

Importante saber que vai doer. Quando nos abrimos para saber de fato como está nosso cuidado, foco e atenção, geralmente a sinceridade que vem de lá causa alguns hematomas internos.

O bom é que isso tem cura. Desde que o nossos canais de vida estejam ainda ligados no satélite eterno que cuida de tudo isso.

Quer mudar de canal?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Restablishment



Juntei palavras em inglês para começar essa conversa. Restart, com seu sentido claro de reinício e recomeço, juntinho com uma mais complicada: establishment, que tem pompa e circunstância para e resumir numa palavra o significado de autoridade institucional e sistema ideológico, político, legal que constituem uma sociedade.
Só não quero usar o reinicio e o estabelecimento do novo para me referir ao cenário político e suas previsões ou expectativas. Disso muita gente já tem se encarregado. O desafio é minha própria alma. Conseguir apertar o botão de reinício e estabelecer meu próprio sistema de bom funcionamento, fazendo valer sem chavões que é verdade a história de tudo ficar melhor se a gente estiver melhor...
Depois de quatro anos bem sucedidos numa função estratégica: cuidar da comunicação de um Governo de Estado, contemplo a reta final dessa jornada com os olhos de quem vê.
Colegas e amigos de trabalho, com aptidões únicas e extraordinárias, permitiram-me provar ser possível fazer comunicação institucional sem os desagradáveis 50 tons da chapa-branca. Tanto é verdade que nas páginas do Governo de Rondônia nesses anos foi possível encontrar matérias que dignificam a pessoa humana, apresentam resultados, entregas genuínas, testemunhos verdadeiros de contribuintes satisfeitos com o Estado.
Ao invés de publicarmos promessas, promoção de agentes públicos, números inventados, projetos mirabolantes lindos no papel e apagados da memória, decidimos contar histórias com significado.
Na relação com as mídias e a publicidade, os pareceres dos órgãos fiscalizadores internos e externos comprovam o quanto valeu a pena seguir estritamente o que diz a Lei. Respeitando os critérios básicos de audiência e acessos, conforme pesquisas sérias, o Governo tecnicamente comprou os espaços dentro da necessidade de cada campanha, apresentando ora uma prestação de contas, ora uma ação de utilidade pública, nunca se permitindo profanar o ambiente reservado pra verdade com promessas levianas ou mentiras, que acabam quando o equipamento é desligado ou a pagina fechada.
Mantivemos acesa a chama da Comunicação de Relacionamento, utilizamos avançadas técnicas de gestão de crise, priorizamos a qualidade na assessoria de imprensa, nas apresentações, nos cerimoniais, na elaboração de eventos, na condução de debates, enfim, nos aspectos mais delicados e fundamentais do setor.
Claro que muita coisa ainda pode ser feita e aprimorada. O que estabelecemos foram os marcos. Como o do uso do brasão do Estado em lugar de slogan e logomarcas pessoais. Ou ainda os critérios e normativas para a não compra de mídia que degrade a condição humana.
Foram muitas ações contundentes e disruptivas. Que colocaram sim a Comunicação do Governo de Rondônia como um case de referência nacional. Inclusive quando ousamos romper as fronteiras para levar a imagem de nossa gente a outros rincões.
O trabalho está aí. Registrado e eternizado.
A memória, por mais que falhe com o passar dos anos, permanecerá incólume pela clareza da consciência limpa e alma lavada.
Especialmente pela gratidão a todos os que tornaram possível que essa transformação acontecesse. E também aos que de algum modo lutaram contra, ou ainda torcem o nariz. Pois isso também é um modo de mostrar o quanto a mudança pega a gente de surpresa.
Agora, que fazer algo com qualidade e integridade já não é mais surpresa para ninguém, dei meu restart próprio. Pedindo a Deus que esse legado não se perca. E essa fé existe graças à certeza de que o establishment é do bem. E o bem prevalece!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O fantástico mundo acima do subsolo




Estou num elevador, a porta se abre, alguém que nunca vi em toda a minha vida diz um amistoso bom dia! Quer dizer, nem sempre é amistoso e nem sempre é bom dia; às vezes um  boa tarde magro ou um boa noite com vontade de amanhã também aparecem. Mas a questão não é essa: a curiosidade é saber qual a explicação para que a mesma pessoa que passa por você na calçada ou nos corredores da empresa, não te enxerga ali e no elevador se transforma num educado ser humano capaz de cumprimentar. Dependendo do tempo de voo até um como vai, ou como estão as coisas, pode pintar na conversa que sobe-e-desce.

Não estou dizendo que não gosto, nem que não o faça. Também sou adepto do bom dia entre 8 pessoas apertadas. Só que também reflito sobre uma causa maior: a das calçadas, das ruas, dos corredores, dos locais onde  gente se cruza e o outro também existe.  Estamos num mundo onde somos capazes de sorrir e dizer que precisamos tomar um café hora dessas olhando pra telinha do celular, sem notar que aquela pessoa pode estar passando ao lado.

Definitivamente o elevador e sua capacidade de unir as pessoas tem  me despertado essas interrogações. Inclusive para questionar como anda meu estoque de bons dias. Será que estou usando bem meus cumprimentos em todo lugar, ou virei também um elevadoriano, e só dou oi entre quatro paredes de metal?

Educação e gentileza estão com o estoque baixo. Infelizmente parece que somente quando forçados é que temos emprestado um tostão da nossa voz. Tendo um smartphone por perto, tudo fica mais fácil, bastando sacar rapidamente a arma e iniciar uma prosa no mundo paralelo. Inclusive segundos após o bom dia no elevador, quando o veículo insiste em parar em todos os andares e começa a causar aquele incômodo de não termos para onde olhar ou o que fazer.

De repente. ufa, chegou o andar tão esperado... só nos resta um grunhido parecido com um até logo, ou passar bem. Dizer tenha um excelente dia com um sorriso é algo demorado e dolorido demais. A porta pode fechar a nossa cara.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Dose pra elefante






Tenho encontrado mais alento, verdade, beleza e até humanidade nos programas que vejo no Animal Planet, do que  na maior parte do que a TV exibe hoje. Os programas jornalísticos, que eram os preferidos, tem se transformado num carrossel de ilusões. Entretenimento barato, fofoca, denúncias vazias, escorregadas editoriais em busca de favor futuro, são alguns dos ingredientes a embrulhar o estômago.

A resenha esportiva, que também já foi deliciosamente técnica e profissional, está abarrotada de comentaristas de boteco e torcedores com direito a microfone de lapela. Um lugar-comum aqui, um chavão ali e pouco ou quase nada de bom,  me obrigam cada vez mais a não deixar o controle remoto longe dos dedos.

Sem contar que em meio a uma programação empobrecida, estamos vendo e ouvindo um festival de promessas, troca de farpas, acusações e messianismos num horário que deveria servir para a propaganda eleitoral. Além de não estar servindo para ajudar o eleitor a buscar seu melhor caminho, esse espaço tem colaborado para acirrar ainda mais o ódio, a incompreensão e a violência.

Entendo e reconheço que devo respeitar aqueles que se identificam com o modo como tem sido conduzida essa curta e pobre (sob o ponto de vista cultural) campanha eleitoral. Uma arena foi montada e milhões tem prazer em estar nela. Outros tantos se deliciam com o pão e circo na arquibancada.

Mas é pra aceitar assim,  afundado na poltrona sem perguntar se é isso mesmo que queremos?

Não podemos perguntar a nós mesmos se o que a mídia escolheu pautar e o que candidatos decidiram dizer tem a ver com o que precisamos de fato?


Enquanto a resposta não vem, apelo novamente para o mundo animal. Belas paisagens e narrativas com fatos da natureza, compravam que o planeta ainda é o mesmo lugar de sempre. E aqui, no pedaço de Terra que chamamos de Brasil, os vulcões que nunca existiram entraram em erupção e os terremotos outrora distantes já fazem tremer nossos pés. Pior que isso: páginas da história que pareciam apagadas, insistem em ser reescritas e pregadas como salvadoras.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Tailândia é logo ali




Richard Harris é um cidadão australiano, amado pela família, respeitado pelos vizinhos em Adelaide e passava férias na Tailândia quando soube dos meninos presos na caverna. Prontamente interrompeu o descanso para se transformar em figura fundamental no processo de resgate. Harris é especialista em mergulhos dentro de cavernas e é médico do serviço de ambulâncias de resgate na Austrália. Além de ser conhecido por lidar muito bem com jovens e crianças. Ou seja, a velha máxima de estar no lugar certo na hora certa serve bem para resumir essa história marcada por heroísmo, técnica, aventura e amor ao próximo.

Foi incrível saber detalhes da vida do médico que ficou três dias na caverna e orientou boa parte do processo de salvamento. E chocante descobrir que seu pai morreu exatamente nesses dias, em que ele ajudava a salvar os meninos e seu treinador. Harris soube da morte do pai logo após sair com a última vítima.

Me perdi  em muitas reflexões sobre esse episódio. Pensei na interrupção das férias dele, em como a família conviveu com isso, mesmo sabendo de sua experiência em contraste com riscos enormes. E em meio à comoção mundial viviam a dor particular da perda de alguém precioso e próximo.

O país de origem do doutor Harris quer dar a ele o título de cidadão australiano do ano. Não sei se o médico está interessado nesse tipo de glória, ou se aproveitará isso para fortalecer ainda mais o comprometimento solidário e a doação de talento por uma causa maior; possivelmente sim. Também não sei se o fato ocorrido na Tailândia vai virar série na Netflix ou um candidato ao Oscar.  

Mas uma coisa é certa: um filme passa por nossa mente à medida que sabemos mais sobre esse cidadão e o que ocorreu na Tailândia. São aquelas passagens que mexem com algo dentro da gente que dorme a maior parte do tempo. E de repente desperta porque precisamos disso para dar sentido ao todo. Temos, temos sim, uma capacidade, um dom, um talento, que pode ser útil para o mundo. Mesmo que, aparentemente, não seja o nosso mundo, nossa cultura, nosso quintal.


Obrigado Richard, por não ter medo do escuro.

domingo, 3 de junho de 2018


Errado, eu?

Há um episódio marcante na vida do escritor britânico G.K. Chesterton, quando foi procurado pelo jornal The Times para escrever um ensaio sobre “O que há de errado com o mundo”. O autor respondeu assim:

Prezados Senhores,
Eu.
Sinceramente
G.K. Chesterton

Talvez ao responder com uma única palavra ele tenha conseguido escrever um dos mais brilhantes e enfáticos textos que aquele ou qualquer outro informativo já recebeu. Que incrível resposta! Chesterton diz que o há de errado com o planeta é ele mesmo.

Seu Eu puro e simples desmascara egos. Aparentemente ele perde uma oportunidade de discorrer sobre tantas de suas teses e quem sabe até provocar e apimentar ainda mais sua divergência intelectual com Bernard Shaw. Mas não,  esse  outro escritor genial não só baixou o tom contra Chesterton como passou a tratá-lo como um “inimigo amigável”, tamanho o respeito que crescia dentro das discordâncias.

Hoje, considerando que eu, tú, ele, nós vós e eles somos o que há de errado com o mundo, não faz sentido algum esse cenário de acusações levianas, julgamentos precipitados, destruição de reputações, sarcasmo, ódio e vingança que temos visto diariamente.

Ao nos tornamos nossos próprios autores e descobrirmos o poder de fazer comunicação, estamos destruindo  um dos seus maiores pilares, o da responsabilidade. Em meio ao anonimato, atiram-se pedras verbais e literais. A turba ensandecida quer sangue. Mesmo que seja de inocentes.

O whatsapp, com tantas ferramentas incríveis e uma capacidade inigualável de facilitar a vida de tanta gente, também surge como uma besta-sem-freios. Seu ambiente obscuro propaga dia após dia sabe-se lá Deus que mensagens. O pior, é que em sua maioria elas apontam o erro do outro, sem o compromisso de checar a verdade ou a ponderação de quem olha no espelho e também vê as marcas enrugadas dos próprios pecados.

Se fosse para relembrar a arte de Dale Carnegie em seu encantador processo de relacionar e fazer amigos, citaríamos o trio esquecido: Não criticar, não condenar, não se queixar. Como imaginar a vida nos tempos atuais sem isso? Se é desses elementos que o monstro que habita nos teclados tem vivido?

Ainda isso ouso imaginar. Até dar uma sonhada e nesse embalo acreditar que poderemos amanhecer melhor amanhã. Um Eu melhor! Tú, ele, nós todos. Melhores não no sentido puritano ou piegas da palavra. Nem com a ingenuidade de quem fecha os olhos para a injustiça e corrupção. Não é isso! Falo de ser melhor para um mundo melhor. Aquele que reaprende a se comunicar elevando o próximo.

Um mundo que devolve o poder ao que é bom e correto. onde consigamos voltar a pegar as pedras para construir e não para matar.