quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Você conhece Gareth Bale?

Existe vida...
Quem acompanha o futebol internacional também descobriu o novo talento da bola: Gareth Bale. O ala do Tottenham e da seleção do País de Gales, é o podemos chamar de jogador moderno. Contra a Internazionale de Milão, pela Copa dos Campeões da Europa, marcou três gols no primeiro jogo e deu assistência para outros três partida da volta. Jogos em que deixou com a maior dor de cabeça dois brasileiros, Maicon e Lúcio. O lateral da Inter não economizou elogios ao jovem talento galês, seu algoz nos duelos da UEFA.
Lá fora
Por que, cargas d’água, resolvi falar de um jogador estrangeiro? Simplesmente porque o futebol do rapaz é de encher os olhos mesmo. Além disso, creio que o fracasso na Copa nos serviu como lição de humildade. Temos jogadores talentosos, isso é indiscutível, mas também precisamos dar uma olhada lá fora para ver o que os talentos de outros estão fazendo e como o futebol tem mudado suas características.
Bota ponta!
Bale, o personagem de hoje,  atua pela faixa lateral do gramado. Mas seu ídolo é um atacante: Ronaldo, o Fenômeno. O que isso quer dizer? Que ele é um ala que busca o gol,  quer o ataque, joga em direção à meta adversária. Também quer dizer que nosso futebol, como diz meu amigo Ronald Lage, precisa sair da faixa entre os bicos das grandes áreas e deixar o balão de lado. Lembra do personagem do Jô que vivia pedindo um ponta? Pois é. Não que eu esteja pregando a volta dos pontas,  mas uma melhor utilização das laterais. O garoto de quem falo é um exemplo. Faz cruzamentos mortais e quando necessário joga por dentro, como poucos.
Escassez de 10
E aqui por perto temos outros exemplos de jogadores que podem inspirar e mexer com nosso cenário pouco criativo. Você já conhece Montillo, é claro. O craque do Cruzeiro que usa a 10 como ela merece. Tem também o Conca, outro craque que engrandece o Brasileirão. Mas já ouviu falar de Jorquera, Medel, Mosquera, Flores, Rodrigues, Torres, Fórmica, Ramirez e Grazzini? Eles  são outros meias que por ora estão na Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia, prontinhos para a importação barata. Enquanto nossos camisas 10 permanecerem como marcadores e segundos-volantes, que tal mais algumas pitadas de talento de fora? Até que um dia voltemos a deixar, nas categorias de base, que os jogadores criativos continuem criando.
Good bye
Enquanto isso, nossa esperança de voltar a ser o 10 prepara sua malas rumo ao futebol dos Estados Unidos. Ronaldinho Gaúcho recebeu proposta do Galaxy, de Los Angeles, time de Beckham. Com seu contrato a caminho do fim, o brasileiro pode encerrar a carreira longe do topo, mas com a conta cheia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O labirinto

O labirinto

O mundo passou por muitas mudanças. Não é preciso mais lavar fraldas, nem levantar para mudar de canal, nem rodar a manivela para fechar o vidro do carro, nem escrever uma carta, nem fazer comida, nem um mundaréu de coisas. Está tudo mais fácil, prático, confortável, dinâmico, acessível, rápido, simples. Bem, nem tudo está tão simples assim. Entender como funciona a cobrança da conta telefônica é algo que ainda me parece complicado. Mas isso talvez seja  só comigo.
Mas hoje, quando circulava pelos corredores do supermercado, à procura de ingredientes para fazer aquele que minha família chamaria de meu melhor macarrão dos últimos tempos, notei que algo não mudou, e talvez nunca mude: homem não sabe fazer compra!
Pode ver. Pode perguntar. Reflita: no comando de um carrinho de compras somos os últimos colocados. Não encontramos os produtos. E demoramos ainda mais porque além do orgulho masculino de evitar ao máximo pedir qualquer informação, nossa visão pouco periférica impede que olhemos para as placas sobre as gôndolas. Homem odeia o que parece óbvio, porque tem um prazer indescritível em complicar as coisas. Precisa sempre dar seu parecer, sua opinião mais abalizada e contundente. Por isso demora uma década num local onde elas entram e saem como se tivessem nascido entre a seção de frios e o caixa.
Isso não é sinal de preconceito não. Nem sou daqueles que acham que lugar de mulher é pilotando um fogão. Até porque, quando o homem põe a mão na massa, sai o perdido no supermercado e entra o superchef. Portanto, nada de interpretar que eu acho isso ou aquilo a respeito delas. Apenas escrevo sobre uma constatação. Não recebemos o chip para comprar direito, e pronto.
O maracujá tem que estar mais pesado, o limão mais fofinho, o mamão tem e a cor certa e o abacate tem que ser comprado um pouco antes do ponto, nem mais nem menos. Olha isso! Se não fossem algumas instruções que elas passaram, estaríamos na seção de frutas e verduras até hoje. Apodrecendo entre as maças argentinas e as bananas nanicas. Que de nanicas não tem nada. Outra coisa que não entendo.
E o preço? Eis aí outro território que não dominamos. Homem bate o olho, gosta e compra. Ou compra e gosta. Uma calculadora não mão? Pelamordedeus!!! Nunca vi um marmanjo com uma dessas em corredor algum. Seria a vergonha das vergonhas. Lista também não pega bem. Elas mandam a gente para o desafio da compra e lá vamos nós com a memória de nunca e a pouca paciência de sempre. O resultado você já sabe. O arroz não era aquele, o pão era integral e o papel higiênico não precisava ser azul.
O bom de tudo isso é que a revolução de costumes está nos obrigando a repensar muita coisa e aprender várias outras. E tem suas vantagens. A escala para o supermercado não é tão terrível assim. Vem com  suas compensações. Sozinhos, conseguimos pegar uma caixa de chocolate que não estava no script, um vinho que jamais entraria na lista e vários daqueles itens que ficam na cara do caixa. Claro que a conta passa do limite. O que pode ser uma tática inteligente. Se elas quiserem economizar, vão acabar tendo que fazer aquilo para o qual já sabem que não estamos preparados. Ou aceitar que homem em supermercado é como uma criança grande. Se contenta só com o que o deixa contente. A diferença é que a birra ele só faz em casa. Melhor elas irem com os filhos. Mas, por favor, não esqueçam o  danoninho!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Aquarelas do Brasil

A situação do lugarejo era péssima. Faltava água, a luz durava pouco e emprego que era bom, virou artigo de luxo. As poucas famílias que ainda teimavam em viver ali, resmungavam o azar danado, entre uma ou outra lembrança de um tempo bom, que não voltava mais. A saudade dos filhos era o que mais apertava. A moçada tinha ido embora. Um ou outro, menos corajoso, ou mais desavisado, tinha ficado por aquelas paragens. Sombria, sem vida, a cidadezinha ia de uma missa a outra, de domingo a domingo, minguando como um postal amarelado.
De repente, aparece na praça da matriz um rapaz num carro lilás borboleta. O que já era muito pra se tornar notícia de primeira página, caso ali tivesse algum jornal ou algo parecido. Mas tudo andava tão devagar que até o satélite demorava mais tempo para identificar o lugar. Quando o moço abriu a porta, tirou os óculos brilhantes igual aos de artista de novela, ficou familiar. Era o Juca, filho da Anastácia, da mercearia.
Juca atravessou a rua, chamou pela mãe e foi um alvoroço. Fazia tempo que ele tinha saído pra estudar na cidade grande. Lá de vez em quando é que chegava uma carta ou outra, dizendo que tudo ia bem, no curso de Belas Artes. O que a população inteira não sabia direito do que se tratava. Sabiam que era coisa chique. Menos seu Zito, que insistia em afirmar que o filho da Anastácia tinha ido estudar pra virar boiola.
Pois até o Zito foi conferir de perto a nova estampa do rapaz. Beijos, presentes, explicações sobre a cor do carro, cheiro de perfume no ar e uma frase que espantou a todos. Juca tinha voltado pra ficar. Vai fazer o que o menino aqui nesse fim de mundo? Foi a frase mais falada na hora que se seguiu. Mesmo depois da explicação.
O rapaz tinha voltado com um projeto. Uma ideia na cabeça. Para a maioria uma maluquice, que não pegaria. Nada mais dava certo ali, acreditavam todos, com provas de sobra. Mas dona Anastácia acolheu emocionada tudo o que o Juquinha falava. Um bolo de fubá e uma boa xícara de café rechearam a primeira reunião que ele fez com uns quatro ou cinco que ainda permaneceram depois da surpresa inicial.
Na verdade o encanto passou quando Juca desandou a falar que iria colocar a pequena cidade no mapa cultural da região. Mapa cultural? Que diabo é isso? Conheço mapa de estrada, aquelas da quatro rodas, afirmou o filho do Zito; desconfiado de que o pai pudesse mesmo ter razão, e com umas pontas de inveja, por ter ficado lá e visto o colega voltar empavonado.
Mas o Juca arregaçou as mangas. Conseguiu uma área abandonada, com um galpão velho, e ali deu início ao projeto que havia planejado na faculdade: pintar as portas da e muros da cidade com obras de arte. Cada porta um quadro novo. Cada muro uma mensagem. Cada fachada um desenho. Dias depois alguns outros carros, gente ainda mais esquisita que ele, começaram a chegar na cidadezinha. A casa da Anastácia virou pensão. A praça da matriz estacionamento de carros e motos. O atelier, no galpão, virou escola. A criançada não via a hora de sair da aula pra se encontrar com os artistas. Havia cores no ar.
Em pouco tempo, Luzeiro das Almas saiu numa revista nacional. Como referência de um trabalho artístico que mudou o cenário local. Outros filhos voltaram. Nem todos artistas plásticos, mas todos muito orgulhosos. O Juquinha, bom menino, como mudara o discurso o seu Zito, fez de um sonho e latas de tinta, um novo lugar. Hoje tem turista de mundo todo. E artista disputando para pintar portas e paredes da cidadezinha. Mas agora é preciso esperar. O Hotel Anastácias só tem vaga pro ano que vem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jodinilson Paçoca, o especialista

Tenho amigos especialistas em quase todas as áreas. Aliás, quem não tem? Toda turma conta com o sujeito que entende de alguma coisa. Tem o que manja de vinho. Sabe tudo sobre Malbec, Cabernet, Merlot ou a uva que estiver no rótulo. Faz pose pra sentir o aroma e dá aula sobre o tema até ficar chato. Com umas taças a mais então, o que era chato fica insuportável. Um outro entende de cerveja: belgas, tchecas, alemãs, holandesas, britânicas, pretas, brancas, levemente escuras, amargas, de trigo, de cevada, seja o que for. O cara sabe de cerveja e pronto. Tem urticária quando alguém fala que cerveja é tudo igual. Ou que depois de uns copos não dá mais pra saber qual é a boa.
Pois então, na minha rede de amigos entendedores tem um que é uma raridade. Jodinilson Pinto de Alencar. Mais conhecido como Paçoca. Apelido do qual ele tem o maior orgulho. Tá até pensando em acrescentar ao nome. Só não sabe se coloca o Paçoca  antes do Pinto ou depois dele.
Eu que nem sabia que existiam vários tipos de paçoca, nem que tem a doce e a salgada, convivendo com Jodinilson acabei virando fã também. Não um mestre, mas um apreciador nas horas vagas. Especialmente aquela horinha vaga logo depois do almoço. Jodinilson é de Guaratinguetá, cidade paulista que ele garante ser a capital da paçoca. Ali começou, em casa, a desenvolver o gosto que se transformou em especialidade. E ele  é um sujeito que põe a mão na massa. Compra bem e ainda sabe fazer uma paçoquinha e tanto. Já tentou até me ensinar. Garantiu que com uma receita simples eu dou conta do recado. É só triturar juntos 100 g de amendoim torrado e sem pele com 100 g de açúcar, 50 g de farinha de milho e 50 g de farinha de mandioca, ou usar só 100 g de farinha de milho, depois vai ficar uma mistura bem fina, e... bem, ele desiste ao ver que sou daqueles que preferem a gôndola do mercado e até conhecê-lo mal comprava paçoca. Quando o fazia era pelo preço mesmo.
A última receita Jodinilson trouxe de Paraibuna. Como não me lembro de ter visto o Paçoca viajar recentemente, acho que ele pegou essa no Google. Mas, deixa pra lá. O importante mesmo é que a paçoca com banana e melado de caju estava extraordinária. E é legal sair com o Paçoca pra ir ao mercado ou feira. Até a paçoquinha industrial, aquela do pacotinho, que fica longe da elite onde está o chocolate e outros doces mais nobres, é visitada minuciosamente. Olha o rótulo, a procedência. Quando compra analisa a textura, morde com calma e depois saboreia. Diz que é preciso doer no canto da boca, assim, ali atrás. E ele gosta também da paçoca salgada. Nas próximas férias seu destino será Pirangi, no Rio Grande do Norte. Além das praias que convidam a um feriado eterno, parece que é lá que servem a melhor paçoca salgada do Brasil. Rapaz, deu água na boca. Paçoca no almoço e de sobremesa. Vou virar especialista!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pelé! 70 vezes 10

Ídolo

Pelé comemora neste dia 23 o seu aniversário de 70 anos. Tudo bem que a ESPN mostrou que de fato o rei nasceu no dia 21 de outubro. Mas, vá lá, ele comemora hoje e nós também. Edson Arantes do Nascimento é o maior ídolo que o Brasil já teve e continua sendo reverenciado em todo o mundo. Encantou o planeta fazendo com a bola o que poucos fizeram, e dela seu caminho para o topo.

Craque

Restrições à parte sobre sua vida pessoal e opiniões nem sempre equilibradas, o Pelé de quem falo é o que fez do Brasil o time mais temido. Foi sua estreia em 1958 que abriu para nossa seleção um novo caminho nos gramados. Mesmo não atuando como gostaria em 62 e 66, Pelé consagrou-se em 1970 como o maior de todos. No Santos já havia provado isso.

Incomparável

Quem ama o futebol não se enquadra no perfil daqueles que tem memória curta. O mundo da bola é sim um emaranhado de fatos marcantes, conquistas gloriosas, fracassos retumbantes e personagens inesquecíveis. Claro que alguns países tem um Pelé a seu modo. A Hungria de Puskas, a Argentina de Maradona, a França de Platini e Zidane, e até a Alemanha de Beckenbauer. De todos esses o que mais se aproxima de Pelé é Maradona. Um fantástico jogador cujas conquistas não deram a ele o status do rei. Como também não deram a Garrincha, outro que muitos dizem ser do tamanho de Pelé.

Artista

Penso que os números do eterno camisa 10 da seleção, além de imagens incríveis do que ele foi capaz de fazer, fundamentam o mito e apontam para a verdade. Foi ele mesmo o que melhor desenvolveu a arte de encantar a torcida e enfeitiçar a bola. O Brasil tem, especialmente graças a Pelé, um respeito e temor que já passa de 50 anos em todos os lugares onde o idioma da bola é falado.

Mito

E o futebol é tão poderoso e mágico que se seres de outro planeta aparecerem por aqui, dizendo a cinematográfica frase levem-me ao seu líder, muita gente vai pensar em chamar Pelé para a conferência.

Eterno

Claro que apagar as velinhas junto com o maior de todos nesse dia, é também um bocadinho melancólico. Eu vi Pelé quando era menino. Sua chegada mais perto do final do jogo a cada ano, é também um sinal de que envelheço. O que também não é de todo mal. Envelhecer é estar vivo. Comemorar o aniversário de quem representa o que o futebol tem de melhor, é estar ainda mais vivo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Enquanto uns mudam, outros melhoram

Academia corintiana de letras


Já disse por aqui que Tite é bom com as palavras. O que não significa dizer que sempre seja compreendido. Nem que sempre esteja no caminho certo. Ao afirmar que o Corinthians só leva o título se ganhar todos os jogos, proferiu a mais dura de todas as suas frases. Jogou um balde de palavra fria no torcedor. Sem vencer há sete jogos, o Timão teria então que subverter toda sua própria ordem para num giro mágico superar a tudo e a todos. Pelo jeito, nem com todo jeito com as palavras, tem jeito.


Ciganos F.C.


O Barueri virou Prudente, manteve o nome Grêmio, mas mudou de cidade. Saiu da grande São Paulo e tentou um novo rumo no oeste paulista. Com a queda bem perto a mudança parece não ter surtido efeito. Mesmo assim outros clubes decidem mudar de ares para ver no que é que dá. O Guaratinguetá foi para Americana, mas manteve o mesmo nome. Estranhíssimo caso: Guaratinguetá de Americana.


Outro


Agora é o São Caetano que ameça mudar de casa. Brigou com a prefeitura e aguarda propostas e juras de amor eterno para viajar de mala e chuteira para um novo destino. Sugiro São Caetano de Santa Rita do Passa Quatro.


Mestre


Falamos ontem aqui sobre o ranking dos treinadores, com Felipão entre os dez mais do cenário mundial e Arsene Wenger, do Arsenal, como o líder. Mesmo tendo ficado feliz por ver Scolari na lista, o que acho merecido, não consegui levá-la muito a sério. Afinal, Dunga é o 19º colocado; sabe-se lá Deus por quais razões. Opinião por opinião, tenho em José Mourinho o melhor e mais preparado de todos, com muitas léguas à frente. A forma com que mudou a cara do Real Madri em apenas três meses, sua vitória sobre o Milan no meio de semana e a maneira com que arma o time a partir do campo de defesa, explicam porque ele tem tantos títulos e é respeitado e reverenciado por onde passa.


Memória


Para Robinho o jogo em Madri foi triste. Entrou no final do segundo tempo, pouco pode fazer, e ainda foi vaiado por mais de 65 mil pessoas todas as vezes que tocou na bola. A torcida espanhola não o perdoa, pelo forma com que abandonou o Real. Tanto pediu pra sair, que saiu. Como também fez em Santos e no City. Sua chance no Milan é de provar que tornou-se um jogador acima de si mesmo. Mesmo que para isso tenha que colher alguns frutos em forma de vaias.

Vai que é tua

O bom desse jogo foi ver que Mano Menezes já tem seu lateral esquerdo. Marcelo, sob a batuta de Mourinho, tem se transformado num jogador completo. Habilidoso, consegue aos poucos superar sua maior deficiência, a defesa. Ainda bem que o técnico atual da seleção assiste aos jogos nos estádios e estava lá. Viu de perto que a 6 já tem dono.

O mundo é uma bola mesmo

Academia corintiana de letras



Já disse por aqui que Tite é bom com as palavras. O que não significa dizer que sempre seja compreendido. Nem que sempre esteja no caminho certo. Ao afirmar que o Corinthians só leva o título se ganhar todos os jogos, proferiu a mais dura de todas as suas frases. Jogou um balde de palavra fria no torcedor. Sem vencer há sete jogos, o Timão teria então que subverter toda sua própria ordem para num giro mágico superar a tudo e a todos. Pelo jeito, nem com todo jeito com as palavras, tem jeito.



Ciganos F.C.



O Barueri virou Prudente, manteve o nome Grêmio, mas mudou de cidade. Saiu da grande São Paulo e tentou um novo rumo no oeste paulista. Com a queda bem perto a mudança parece não ter surtido efeito. Mesmo assim outros clubes decidem mudar de ares para ver no que é que dá. O Guaratinguetá foi para Americana, mas manteve o mesmo nome. Estranhíssimo caso: Guaratinguetá de Americana.



Outro



Agora é o São Caetano que ameça mudar de casa. Brigou com a prefeitura e aguarda propostas e juras de amor eterno para viajar de mala e chuteira para um novo destino. Sugiro São Caetano de Santa Rita do Passa Quatro.



Mestre



Falamos ontem aqui sobre o ranking dos treinadores, com Felipão entre os dez mais do cenário mundial e Arsene Wenger, do Arsenal, como o líder. Mesmo tendo ficado feliz por ver Scolari na lista, o que acho merecido, não consegui levá-la muito a sério. Afinal, Dunga é o 19º colocado; sabe-se lá Deus por quais razões. Opinião por opinião, tenho em José Mourinho o melhor e mais preparado de todos, com muitas léguas à frente. A forma com que mudou a cara do Real Madri em apenas três meses, sua vitória sobre o Milan no meio de semana e a maneira com que arma o time a partir do campo de defesa, explicam porque ele tem tantos títulos e é respeitado e reverenciado por onde passa.