segunda-feira, 19 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
O fim do muro
Como é possível alguém fazer um projeto de uma ciclovia que
termina em um muro? Quando vi a foto e li o texto sobre a obra da ciclovia
construída no entorno do Maracanã, que literalmente dá de cara com um muro, não
sabia se ria ou se postava. E pior: em um outro ponto ela também não tem fim,
bate de frente com a parede do Museu do Índio.
Pode até aparecer
alguém afirmando que ali não é fim do da ciclovia, mas o começo. Seria uma bela
resposta. Pouco inteligente, mas uma saída, ops, uma entrada. Pode até ser que
daqui um tempo derrubem o muro, ou o museu, e liberem a via para as bikes. Mas pode
ser que não. Que trata-se pura e simplesmente de mais uma obra feita de
qualquer jeito, para qualquer um.
O Brasil está cheio
delas. Os moradores de Porto Velho sabem bem o que é obra inacabada. Em vários
pontos da cidade é possível se deparar com uma quase construção. Um quase
projeto concluído. Um quase viaduto. E não é só lá. Lembrei de lá porque também
sofro por meus amigos com quem um dia convivi. Com quem andei pelas mesmas ruas
e calçadas, onde o quase ainda é senhor e deus.
A ciclovia que dá no
muro é um exemplo perfeito para os estádios que darão em nada depois da Copa. E
olha que muitos deles não darão em quase nada antes mesmo da competição. Em Manaus
já mudaram o projeto e a obra. O que havia sido combinado não ficará pronto. Tinha
muito muro no meio do caminho.
E assim ficaram os
projetos de infraestrutura. Ou melhor, não ficaram. Nem ficarão. As cidades
terão que se adaptar ao caos durante o Mundial. Se bem que a maioria delas já
vive o caos. Ele será apenas piorado um pouco. A não ser que decretem feriado
em todos os dias de jogo, em todas as 12 cidades onde as partidas vão
acontecer.
Para quem adora um
feriado, ficaria perfeito. E o Brasil adora um dia santo, uma folguinha, um
refresco. E hoje, com a boa forma em alta, muita gente vai tirar o dia para
caminhar, correr, andar de bicicleta. Se estiver no Rio, cuidado com o muro!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Você tem dado o sinal?
Final de tarde, quase
na hora das despedidas, do até amanhã para quem fica, ouço uma colega na sala ao
lado pedindo um sinal de fax. Incrível como a frase “você pode me dar o sinal
do fax” me pareceu tão velha, ultrapassada, antigona mesmo. Nem sei para quem
foi que ela pediu um faz igual, que é o significado da palavra fax, em latim.
Também não sei se a cópia veio boa, se o papel da bobina é térmico e impresso
com jato de tinta, como manda o ainda vivo figurino de um bom equipamento
desses.
Só sei que a invenção
tem protótipos antigos, dos anos 20, mas virou mesmo uma produção em grande
escala em meados dos anos 70. E vendeu horrores. Aliás, ainda vende. E o olha
que o bom fax ainda se mantém ali, na
casa dos 300 reais em média. Um excelente preço para um corôa de escritório. O que
me espantou ainda mais, é que usar fax , comprar fax, enviar e receber, é mais
normal e comum do que minha imaginação poderia copiar.
Pesquisei entre alguns
colegas. Uns, como eu, não se lembram quando foi sua última experiência do
tipo, chegou aí a cópia? Tá boa? Outros falam do aparelho com uma naturalidade
abominável. Minha encucação bateu forte nessa hora. A turma do androide, os
usuários dos ioesses da vida nos iphones e similares, essa galerinha mais z e y
do momento, já nos trata como uma espécie de gente excluída. O quê? Você ainda
não tem wat zap? Não usa o instagram? Não se localiza no forsquare? Em caso de
resposta negativa a condenação vem em forma de desdém. O que é pior que algumas
fogueiras. Entende o drama? Os do fax também podem te excluir a qualquer
momento.
Lembro-me da máquina de
datilografar, das aulas e de como continuei catando milho apesar dos esforços
da professora. Portanto, o fax um dia foi moderníssimo para mim. Para minha
tristeza, ao pensar que achá-lo um equipamento ultrapassado me colocaria no
panteão dos moderninhos, com meu tablet e pouco mais que isso, a voz da mudança
diária, constante, impressionante de tudo o que é tecnológico me botou no lugar
que mereço. Entre a cruz e a espada, ou melhor, entre a maçã e o galaxy. O que,
aliás, piorou a coisa, porque Galaxie para mim, era o carro enorme do meu pai. Mas
essa já é uma outra história. Vou mandar
um fax contando. Me dá o sinal?
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Se Deus quiser...com a ajuda de Deus
Final de jogo, ou saída
para ao intervalo. A maioria dos jogadores de futebol repete basicamente as
mesmas frases. O repertório é fraco. Falam sobre o time estar bem postado mas
não ser feliz nas finalizações. Que os três pontos é que importam. Que futebol
é assim mesmo. Em caso de derrota é hora
de pensar no próximo jogo. Em caso de vitória, enaltecer a torcida é praxe. Agradecer
a Deus é quase um mantra.
Existem aqueles que
exageram e chegam a dizer a frase que ali de cima: Se Deus quiser, com a ajuda
de Deus. E tem também a galera que bota Deus em algumas frias. O goleiro que
defende um pênalti e diz que quem pegou a bola não foi ele…Foi Deus! Toda a
honra e glória seja dada. Aí, no segundo tempo o cara toma um frango maior que o da Sadia, com
capacete e tudo. E agora Jesus? No primeiro tempo estava com ele, depois virou
a casaca e ajudou a cabeça do centroavante adversário, ou criou um morrinho na
grama de uma hora para outra, ou um vento repentino??
A verdade é que acreditar
em algo, viver uma vida com princípios, especialmente os que respeitam e servem
ao próximo, são dádivas extraordinárias. Possibilidades verdadeiras de fazer da
crença uma ferramenta de amor e cuidado. O problema está na forma. E os
jogadores de futebol, principalmente os da ala mais radical da fé, tem pisado na bola.
Nada contra onde vão, com quem congregam e o que vivem em suas congregações,
paróquias ou assembleias. Mas a questão é o serviço prestado ao contrário. Ao atribuir
a Deus um sucesso, naturalmente estão atribuindo a Ele o fracasso do
adversário? Deus tem realmente tempo para assistir e cuidar de tantos jogos de
futebol assim? E olha que tem jogo hein!! Ligue a TV agora. Se for uma skygato,
ou qualquer outra com mais de 10 canais, tem uma partida de futebol passando
nela.
Recebemos uma
capacidade incrível de inventar, produzir, amar, servir, transformar a vida,
recomeçar… Ao mesmo tempo em que muito do que recebemos como material de
trabalho ao nascer, acaba se transformando em pesadas ferramentas de destruição
e ódio. O ser humano, inclusive em nome do que acredita, tem sido capaz de
matar de múltiplas formas. E o futebol está dentro desse contexto,
infelizmente.
Não vejo problema,
sinceramente, em alguém reconhecer o sobrenatural e atribuir a Deus alguma
conquista. Mas a medida do equilíbrio passa pela dose do bom senso. Pastores,
padres, amigos, familiares, líderes de gente que dá entrevista; seja no
intervalo do jogo ou em qualquer programa, precisa ensinar essa turma com
urgência. Deus não chuta. Não agarra. Não pilota. Não corta. Não saca. Não
apita. Ele capacita, mas não está preocupado com o placar. No jogo da vida, que
é o que importa pra Ele, o ideal é que todos vençam. Mesmo quando o dia a dia parece
ser uma caixinha de surpresas…
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Na sala com Francisco
Gustavo é católico,
Edmundo evangélico e José Roberto, o mais velho dos três irmãos, diz que já não
acredita em mais nada. Em casa assistiam
juntos ao especial do Canal History sobre o Papa Francisco, chamado de o Papa
do Fim do Mundo. Os três irmãos viram tudo enquanto debatiam. Gustavo, o do
meio, garante que a igreja vive agora um novo momento e que o novo líder
encontrará o caminho para barrar a corrupção no Vaticano e os escândalos que
saíram dos bastidores, catacumbas e sacristias para desanimar milhões de fiéis
pelo mundo todo.
Edmundo, o mais novo, procurou não botar o dedo na ferida dos escândalos,
já que o meio evangélico não anda com o altar tão limpo. Mesmo assim escorregou
na onda do fatalismo e apontou a história do programa como sendo um sinal do
final dos tempos. Garantiu que o Papa
Negro nada tem a ver com a batina preta dos Jesuítas. O negócio é mais sério. A
questão é mais profunda. Vocês vão ver, ameaçou como quem ama, sem se lembrar
que ameaça e amor não dormem na mesma cama.
José Roberto, que um
dia acreditou em quase tudo, pediu silêncio. E não falou pouco. Para ele existe
uma igreja dentro da igreja e outra fora dela. A que está dentro, vive sufocada
pela estrutura, pelos dogmas, pelos donos de cada pedaço e por uma série de
novos mandamentos impostos ao sabor da preferência de cada denominação. A que
está fora, nas ruas, nos bairros, ao redor dos prédios e liturgias, é a igreja
carente, formada por gente que um dia já teve fé, assim como ele. Pessoas que
deixaram de ver, ou que nunca enxergaram naqueles que diziam ser cristãos, o
Cristo que eles tanto defendiam. E encerrou categoricamente, com a preferência
de ser o mais velho: vocês dois ao invés de puxar a sardinha pro assado de cada
um, precisam entender que por mais que um líder diga isso ou pense aquilo, sem
a prática, sem o bem, sem as ações que realmente provem que o amor existe, a
crença em Deus só vai diminuir. Enquanto Ele for representado por religiões e
não por pessoas que amam e servem, as paredes vão continuar erguidas e os muros
ficarão altos. Não será possível ver além. Se é que o
além existe. E fiquem quietos que eu vou dormir!!
terça-feira, 16 de julho de 2013
No mundo da lua
Li sobre um garoto inglês chamado Dexter, que visitou o Centro Espacial John Kennedy nos Estados Unidos. Depois disso, seu fascínio pelo espaço aumentou tanto que escreveu uma carta para a Nasa. Nela ele fala sobre o envio de pessoas para Marte, no futuro. E encerra se escalando para ir. Não agora, com apenas sete anos, mas, quando crescer, quem sabe?
Para surpresa dele e de sua mãe a Nasa respondeu. Enviou fotos do espaço e um incentivo para que o menino tire boa notas na escola e não deixe morrer seu sonho.
Os meus limitados conhecimentos de matemática e uma dificuldade tremenda de ficar até mesmo encostado numa sacada de prédio de poucos andares, contribuíram rapidamente para que eu pusesse os pés no chão e desistisse de um dia virar astronauta. Sonho que a maioria das crianças da minha infância acalentava. Afinal, a viagem à Lua era assunto de todas as rodas. Os debates sobre ser ou não verdade os primeiros passos de Neil Armstrong em solo lunar davam o que falar nas reuniões de família ou encontros de amigos dos meus pais. E nós, que acreditávamos em tudo, sonhávamos com as estrelas.
Vi um pouco de mim na história do Dexter. Ele foi mais corajoso que a maioria. Escreveu para quem manda para o espaço o seu desejo de um dia estar lá. Não sei se ele chegará a realizar seu sonho. E se estarei aqui para ver. Mas aprendi um bocado com esse menino ao ler sobre sua pequena grande carta.
Lembrei-me que um dia todos demos nosso primeiro passo. Ousamos sonhar um novo sonho. Decidimos escrever e assinar que aquilo era o que mais desejávamos. Quandos deles ficaram dentro de gavetas e amarelaram?

sexta-feira, 7 de junho de 2013
Um santo remédio
Eu havia acabado de ouvir uma música que fala da amizade sincera, um santo remédio, um porto seguro. Estava no carro, levando minhas duas filhas pra casa, após pegá-las na escola. Nós moramos em Barretos, e em poucos lugares vi tanto cachorro na rua. A cidade é uma delícia de morar. Mas os vira-latas são um peso contra a boa fama da Capital do Rodeio; que abriga o hospital mais humanizado do Brasil. Uma referência internacional no tratamento de câncer. Pois a visão canina do dia acabou virando a alegria da família nos dias seguintes. A história é a seguinte:
Parei no semáforo, para que os pedestres pudessem atravessar, quando vi dois cachorros seguindo o mesmo rumo. Cachorro seguro morreu de velho. E os dois me fizeram lembrar a música da amizade. Fiquei fascinado com a diferença brutal de tamanho entre eles e a sintonia com que caminhavam pela rua e calçadas. Um era muito pequeno. Pretinho. Quase pelado. O outro era grande, tinha coleira, pelagem caramelo e andava colado no baixinho. Como se o protegesse. Achamos a cena engraçada e seguimos pra casa.
Dia seguinte, no mesmo local, lembramos que ali havíamos encontrado a dupla. De repente, aparece o pequeno, sozinho. Na hora lamentos a possível separação dos amigos. Que nada. O pixote atravessou no mesmo ponto, e foi direto na direção de uma longa cerca. O grandão estava na parte de dentro. Assim que se encontraram a caminhada recomeçou. Um na calçada, pra fora, e o outro coladinho na cerca, por perto. Até que acharam um buraco e o maior pulou na calçada. Hora de voltar a andar coladinho. E assim seguiram. Não sei se eles formam um casal com tamanhos absurdamente diferentes, ou se são dois cães que decidiram andar juntos como dois amigos sinceros.Uma prova de que a frase mundo cão é injusta com os animais. Assim como chamar alguém de cachorro. E a visão e as risadas que demos com a imagem da fidelidade entre o pequeno e seu fiel escudeiro, foram marcantes. Pensei muito sobre a amizade.
Deve ser porque nem sempre encontramos o amigo que é amigo para todas as horas. Ou o amigo que decide caminhar junto mesmo quando você não tem nada a dar em troca. Ou talvez porque a gente espera demais de outras gentes, oferecendo muito pouco. Confesso que vivo a sensação de que estou de um dos lados da cerca. A espera do amigo que vai voltar a andar por perto. Nem precisa ser um porto seguro. Basta ser sincero!
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