Thiaguinho é pagodeiro. Exalta o tipo de samba que escolheu para ganhar a vida. Seu sucesso é incontestável. Milhões de brasileiros sabem quem ele é e muitos desses curtem de verdade a música pra frente, do cotidiano, como o próprio cantor faz questão de enaltecer.
Nada novo, nem digno de manchete ou comentário, não fosse o rapaz dizer que está orgulhoso por ter (ele mesmo) mudado um pouco a história do samba.
Quando li isso, confesso que achei que fosse algum tipo de primeiro de abril, ou alguma nota plantada, daquelas que aparecem nas redes sociais matando alguém ou criando um novo fato. Nada disso! A matéria, no G1, dizia exatamento o que meus olhos duvidaram: o moço acredita mesmo que mudou a história do samba.
Sim, o samba que um dia já foi de Cartola, Nelson Cavaquinho, João Nogueira, Jackson do Pandeiro e Dona Ivone Lara. Virou tipo paulista, com Adoniran e seus Demônios. E tipo exportação, graças aos geniais Noel Rosa, Braguinha, ou Ary "o Brasil samba que dá" Barroso.
Das safras seguintes, nem mesmo Martinho, nem mesmo Paulinho, nem mesmo o Zeca Pagodinho, se arvoraram em tamanha insanidade: dizer que mudaram, mexeram, imacularam, transformaram o samba. Sabem quem são, num mesmo universo onde estão Beth Carvalho, Alcione, Clara Nunes e outras excepcionais mulheres que não mudaram o samba. Deixaram-no como ele é, gostoso de ouvir, excelente pro pé.
Acredito na bondade do pagodeiro. Ele estava sentando numa espécie de trono, com cetro e tudo. Posava para a foto que viraria capa de um site importante. Por que não dizer algo tão importante quanto? O momento era propício. Uma frase de efeito, contagiante, soaria como mais um pedaço frágil de uma canção, dessas que se ouve hoje e amanhã não mais, em tantas éfeemes do Brasil... E ninguém ligaria.
Só que eu liguei. E quase desliguei. Incrível como está cada dia maior o pacote de bobagens publicadas, com aparência de coisa boa, mas sem conteúdo algum. Não, meu caríssimo Thiaguinho, você não mudou a história do samba. Nem vai mudar. Independetemente do sucesso alcançado. Fruto, tenho certeza, de muito trabalho e dedicação. Só que o samba, o mesmo da Carmen Miranda, sabe quem ela é?, só sofre alterações de tempos em tempos, com a força de uma onda muito poderosa. Somente os gigantes da música popular brasileira podem fazê-lo. E isso naturalmente, sem precisar dizer nada. Afinal, que bobagem, as rosas não falam.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Silêncio dos culpados?
Eu quero tchú, eu quero tchá. Tchê, tchererê, tchê, tchê... tá tarada, tá tarada. Escrevo ao som de uma reportagem na TV apresentando o novíssimo sertanejo universitário. E as canções, se é que assim posso chamá-las, que estão na boca do povo, se é que eu posso chamar de boca.
Os refrões que não dizem nada não são novidade. João Bosco já cantou, aiaiaiaiaia, tjurubem na ri bababababa. A questão não é essa. O problema é a reverência à chamada música chiclete; aquela que gruda e não sai. Tipo a do Michel Teló, que nem escrevo um trecho aqui, com medo de que ela volta a me possuir e eu tenha que exorcizar de novo.
O Ecad, que Deus o tenha em mau lugar, apresenta dados dando conta de que nove, das dez mais do ranking musical brasileiro são músicas dessa onda sertaneja jovem. Compositores e intérpretes dão entrevista dizendo que esse é o retrato da moçada atual. Garantem que a galera tá tarada mesmo por um estilo que herdou o nome sertanejo mas de sertão não tem nada. Nem de raízes, nem de composição, nem de qualidade, nem de beleza.. nem de nada. O resultado da pesquisa comprova a gicantesca fraqueza cultural do país. O abismo que existe entre beleza, letra, melodia, história, amor, com a vulgaridade e suas múltiplas facetas musicais. Infelizmente, parece que a maioria está desse lado do abismo. Gostaria de acreditar que não.
Lamentalvelmente as rádios se dobram como quase sempre o fizeram. A indústria dá um jeito de impor o gosto e os DJ's mandam ver com som na caixa. Não importa o que está sendo rodado. O negócio é o negócio.
Impossível não reconhecer que existe uma safra de excelentes músicos. Que nem tudo está alheio ao que se fazia de genial em décadas brilhantes como as de 50, 60, 70 e até 80. Mas o que hoje é exceção, um dia já foi fartura. Quem quer brilhar no atual cenário, tem que se especializar em chicletismo. De preferência pouco abaixo da linha da cintura, com direito a muita pornografia. Porque, convenhamos, o que um dia já foi sensual, erótico, artístico, subliminar ou direto com direito a amor e saudade, se transformou em carne fria. Sem gosto, como um chiclete mascado por horas.
Eu não quero tchú!
Os refrões que não dizem nada não são novidade. João Bosco já cantou, aiaiaiaiaia, tjurubem na ri bababababa. A questão não é essa. O problema é a reverência à chamada música chiclete; aquela que gruda e não sai. Tipo a do Michel Teló, que nem escrevo um trecho aqui, com medo de que ela volta a me possuir e eu tenha que exorcizar de novo.
O Ecad, que Deus o tenha em mau lugar, apresenta dados dando conta de que nove, das dez mais do ranking musical brasileiro são músicas dessa onda sertaneja jovem. Compositores e intérpretes dão entrevista dizendo que esse é o retrato da moçada atual. Garantem que a galera tá tarada mesmo por um estilo que herdou o nome sertanejo mas de sertão não tem nada. Nem de raízes, nem de composição, nem de qualidade, nem de beleza.. nem de nada. O resultado da pesquisa comprova a gicantesca fraqueza cultural do país. O abismo que existe entre beleza, letra, melodia, história, amor, com a vulgaridade e suas múltiplas facetas musicais. Infelizmente, parece que a maioria está desse lado do abismo. Gostaria de acreditar que não.
Lamentalvelmente as rádios se dobram como quase sempre o fizeram. A indústria dá um jeito de impor o gosto e os DJ's mandam ver com som na caixa. Não importa o que está sendo rodado. O negócio é o negócio.
Impossível não reconhecer que existe uma safra de excelentes músicos. Que nem tudo está alheio ao que se fazia de genial em décadas brilhantes como as de 50, 60, 70 e até 80. Mas o que hoje é exceção, um dia já foi fartura. Quem quer brilhar no atual cenário, tem que se especializar em chicletismo. De preferência pouco abaixo da linha da cintura, com direito a muita pornografia. Porque, convenhamos, o que um dia já foi sensual, erótico, artístico, subliminar ou direto com direito a amor e saudade, se transformou em carne fria. Sem gosto, como um chiclete mascado por horas.
Eu não quero tchú!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Se essa rua
As ruas e avenidas, que não tem nomes de peixes, árvores ou cidades, geralmente prestam homenagem a alguém. Raramente é possível encontrar quem saiba quem foi o homenageado. Figuras históricas e outras sem tanta importância no cenário dos famosos, estão presentes no nosso cotidiano, sem mesmo nos darmos conta de que seu nome está ali, naquela via, por alguma razão; seja por mérito ou pelo simples fato de que vereador e prefeitura precisavam de uns votinhos na região.
Claro que é fácil saber qual a razão de uma avenida se chama Airton Senna, Tacredo Neves, Rui Barbosa, Anita Garibaldi... Mas e os outros? São centenas, em cada município, cuja graça está amarelando na placa da esquina e os moradores não fazem a menor ideia de quem se trata. Eis aí um belo desafio para escolas, comunicadores e até mesmo os pais: começar a descoberta sobre as figuras que residem em cada endereço do passado.
Agora, dureza mesmo é explicar nomes de ruas como Beco do Três Cacetes,em Recife. Nessa mesma cidade tem a Travessa dos Martírios, Rua Só Nós Dois, Beco do Supapo e Rua da Compreensão. Em Belo Horizonte a curiosidade por nomes de logradouros também é enorme: Rua do Sabão ou Alto do Picolé, são exemplos clássicos. E é assim em muitas cidades. Até mesmo as mais glamourosas sofrem com alguns endereços; em Curitiba, por exemplo, tem o Beco do Mijo. Em Salvador, contrangimento dos constrangimentos é o cara dizer que mora no Pau Miúdo. Ouvi falar de uma cidade cujo cemitério fica na Rua do Fogo. O que estão fazendo que ainda não botaram um nome celestial ali?
Por conta disso parei para pensar a respeito das ruas da cidade onde moro. Porto Velho não é diferente da maiorias dos lugares. Aliás, talvez a exceção seja Barretos, cujas vias tem números e não nomes. Descomplicaram de vez na terra do peão. Mas, voltando para a capital de Rondônia, fica evidente que alguns nomes de bairros e ruas merecem uma pesquisa mais aprofundada. Quer ver? Aqui tem o Caladinho, Arigolândia, Escola de Polícia, Cidade do Lobo. Num mesmo bairro, bem pertinho uma da outra, vi as ruas da Fama, Cadência e Infinito, não muito longe da Salvação. Um bom nome para aquela do cemitério.
Também, não dá para ser exigente. Com as cidades crescendo assim, haja inspiração para achar tanto nome. Mas o pecado não reside nesse ponto. Por mais curioso que seja, aquele nome está ali por alguma explicação. O que incomoda mesmo é a fome que alguns tem de ficar mudando tudo. Só deveria ser autorizada a alteração em caso de constrangimento comprovado; de Pau Miúdo pra cima...
Claro que é fácil saber qual a razão de uma avenida se chama Airton Senna, Tacredo Neves, Rui Barbosa, Anita Garibaldi... Mas e os outros? São centenas, em cada município, cuja graça está amarelando na placa da esquina e os moradores não fazem a menor ideia de quem se trata. Eis aí um belo desafio para escolas, comunicadores e até mesmo os pais: começar a descoberta sobre as figuras que residem em cada endereço do passado.
Agora, dureza mesmo é explicar nomes de ruas como Beco do Três Cacetes,em Recife. Nessa mesma cidade tem a Travessa dos Martírios, Rua Só Nós Dois, Beco do Supapo e Rua da Compreensão. Em Belo Horizonte a curiosidade por nomes de logradouros também é enorme: Rua do Sabão ou Alto do Picolé, são exemplos clássicos. E é assim em muitas cidades. Até mesmo as mais glamourosas sofrem com alguns endereços; em Curitiba, por exemplo, tem o Beco do Mijo. Em Salvador, contrangimento dos constrangimentos é o cara dizer que mora no Pau Miúdo. Ouvi falar de uma cidade cujo cemitério fica na Rua do Fogo. O que estão fazendo que ainda não botaram um nome celestial ali?
Por conta disso parei para pensar a respeito das ruas da cidade onde moro. Porto Velho não é diferente da maiorias dos lugares. Aliás, talvez a exceção seja Barretos, cujas vias tem números e não nomes. Descomplicaram de vez na terra do peão. Mas, voltando para a capital de Rondônia, fica evidente que alguns nomes de bairros e ruas merecem uma pesquisa mais aprofundada. Quer ver? Aqui tem o Caladinho, Arigolândia, Escola de Polícia, Cidade do Lobo. Num mesmo bairro, bem pertinho uma da outra, vi as ruas da Fama, Cadência e Infinito, não muito longe da Salvação. Um bom nome para aquela do cemitério.
Também, não dá para ser exigente. Com as cidades crescendo assim, haja inspiração para achar tanto nome. Mas o pecado não reside nesse ponto. Por mais curioso que seja, aquele nome está ali por alguma explicação. O que incomoda mesmo é a fome que alguns tem de ficar mudando tudo. Só deveria ser autorizada a alteração em caso de constrangimento comprovado; de Pau Miúdo pra cima...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Comandante, volte para o navio, é uma ordem!
O que faz um líder? Ele aponta os rumos? Dita as regras? Mostra como se faz? Incentiva? Inspira?
De que maneira os liderados se deixam tomar pelo som da voz de comando e se embrenham no oceano do desconhecido, nos desfiladeiros das incertezas, para provar que são dignos de tal liderança? Ando pensando sobre isso. Não que tenha sido motivado por alguma leitura. Ao contrário! Há tempos que não leio algo sobre liderança que de fato mexa com meus instintos de redator. Aliás, é a quase absoluta falta de gente capaz de inspirar que me levou escrever e perguntar: para onde foram os líderes? Onde deixaram escondida a semente das melhores safras?
Ao ver a foto do gigantesco navio Costa Concórdia, naufragado e frágil em águas italianas, tive a sensação de que vivemos algo parecido, mesmo tendo os pés firmes em terra seca. O que parece ser um delicioso cruzeiro com ventos a favor, pode se transformar num caos, com água entrando por todos os lados.
No caso do navio, sabe-se que seu líder já estava longe da tragédia quando famílias se debatiam em busca de um colete, um bote e de alguém para salvar suas vidas.
E o nosso navio? Em quem águas navega? Para onde vai? Como estão seus equipamentoa de emergência? O que fazem, neste momento, nossos comandantes?
Tenho a impressão que a maioria a bordo descansa tranquila em suas cabines. Alguns outros passeiam em paz pelos ambientes da embarcação, certos de que tudo vai bem. Em momentos assim, raramente nos lembramos que mesmo submersas as rochas podem ser traiçoeiras. Mesmo aparentemente pequenos, os blocos de gelo escondem pontas perigosas, capazes de rasgar os cascos mais endurecidos.
E se num movimento brusco, o pior acontecer? Como reagiremos? Nossos líderes estão capacitados para garantir total segurança? Permanecerão à bordo até que todos se salvem? Gostaria de acreditar que sim. Que eles tem convicção a respeito do que fazem, e, ao contrário do comandante italiano, são capazes de ouvir seus subordinados, a ponto de mudar o rumo, se for preciso. Mais que isso: estão protos para enxergar no horizonte o ponto de chegada.. E nos levar até lá, sem surpresas e perigo.
Para isso é preciso encontrar um ponto de parada para apoio e retomada da viagem. Talvez em alguma ilha, escondido no farol que impede os naufrágios, esteja a carta de navegação que faça renascer o espírito de liderança, a chama de comando, a voz de autoridade, a força dos capitães, a bravura dos navegantes destemidos.
É deles que sentimos falta! Mesmo aparentemente navegando em águas calmas...
De que maneira os liderados se deixam tomar pelo som da voz de comando e se embrenham no oceano do desconhecido, nos desfiladeiros das incertezas, para provar que são dignos de tal liderança? Ando pensando sobre isso. Não que tenha sido motivado por alguma leitura. Ao contrário! Há tempos que não leio algo sobre liderança que de fato mexa com meus instintos de redator. Aliás, é a quase absoluta falta de gente capaz de inspirar que me levou escrever e perguntar: para onde foram os líderes? Onde deixaram escondida a semente das melhores safras?
Ao ver a foto do gigantesco navio Costa Concórdia, naufragado e frágil em águas italianas, tive a sensação de que vivemos algo parecido, mesmo tendo os pés firmes em terra seca. O que parece ser um delicioso cruzeiro com ventos a favor, pode se transformar num caos, com água entrando por todos os lados.
No caso do navio, sabe-se que seu líder já estava longe da tragédia quando famílias se debatiam em busca de um colete, um bote e de alguém para salvar suas vidas.
E o nosso navio? Em quem águas navega? Para onde vai? Como estão seus equipamentoa de emergência? O que fazem, neste momento, nossos comandantes?
Tenho a impressão que a maioria a bordo descansa tranquila em suas cabines. Alguns outros passeiam em paz pelos ambientes da embarcação, certos de que tudo vai bem. Em momentos assim, raramente nos lembramos que mesmo submersas as rochas podem ser traiçoeiras. Mesmo aparentemente pequenos, os blocos de gelo escondem pontas perigosas, capazes de rasgar os cascos mais endurecidos.
E se num movimento brusco, o pior acontecer? Como reagiremos? Nossos líderes estão capacitados para garantir total segurança? Permanecerão à bordo até que todos se salvem? Gostaria de acreditar que sim. Que eles tem convicção a respeito do que fazem, e, ao contrário do comandante italiano, são capazes de ouvir seus subordinados, a ponto de mudar o rumo, se for preciso. Mais que isso: estão protos para enxergar no horizonte o ponto de chegada.. E nos levar até lá, sem surpresas e perigo.
Para isso é preciso encontrar um ponto de parada para apoio e retomada da viagem. Talvez em alguma ilha, escondido no farol que impede os naufrágios, esteja a carta de navegação que faça renascer o espírito de liderança, a chama de comando, a voz de autoridade, a força dos capitães, a bravura dos navegantes destemidos.
É deles que sentimos falta! Mesmo aparentemente navegando em águas calmas...
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Manteiga derretida
Ele não teve mãe, nem pai. Foi criado de casa em casa e viveu infância e juventude como quem recebe favores. De favor em favor sua vida encheu o papo. Por essas e tantas outras razões o Natal não lhe dizia muita coisa. Espírito de Natal? Era mais fácil acreditar em fantasmas, saci, mula-sem-cabeça. Numa vida em que não havia presentes, o futuro tinha tudo para ser um caos. Que nada! O homem de quem falo hoje é um cidadão exemplar. Pai amoroso, amigo fiel, profissional dedicado, um regalo para quem com ele convive.
Então a gente não é fruto do meio onde vive? Sim, claro que é. Mas nem sempre o meio desprovido de amor produz desamor. Nem sempre o abandono redunda em revolta. Nem sempre a falta de colo impede que um ombro esteja disponível para todas as lágrimas.
Hoje, quando ele fala de Natal, não é da falta de família na infância que se lembra. O 25 de dezembro agora significa outra coisa. Esposa, filhos, netos, colegas de trabalho, amigos que estão, amigos que são, amigos que já foram. A data nem quer dizer tanto. Na verdade o homem sobre quem escrevo é daquelas figuras raras que batem de frente com o parecer do mestre Nelson Rodrigues, que dizia que toda unanimidade é burra. Nesse caso e unanimidade é cúmplice. Não conheço alguém que não goste dele...
Para piorar e melhorar a pequena história, o amigo sobre quem me permito discorrer um pouco tem um coração gigante. E mole! Por trás de palavras contundentes e revoltas bombásticas contra o trem da história quando descarrila, vive um sujeito ímpar.
Tudo bem que não significa o caso de invocarmos o Espírito de Natal ou alardearmos santidade em quem quer que seja. Ele nem aprovaria isso. Mas que posso me permitir dizer que acredito em anjos, isso eu posso. Ao menos naqueles que enxergo e me fazem ver o mundo como um lugar divino, apesar do humano; e humano, apesar do falso divino.
Feliz Natal, Beni Andrade... Um amigo para chamar de nosso!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Eu quero falar dos que mamam
Preparávamos o programa de rádio Papo de Redação, da Parecis FM de Porto Velho, quando o radialista Sérgio Pires surgiu com o pronunciamento da deputada Cidinha Campos, falando aos seus colegas na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. A gravação está no You Tube e exibe um dos mais contundentes pronunciamentos já registrados contra a corrupção. "Eu quero falar dos que mamam" é a frase que abre a sua fala, dirigida a um plenário bovinamente silencioso. A deputada estava indignada, com o fato de que um político comprovadamente corrupto, filho de um ex-deputado preso pelo mesmo motivo, com agravantes de formação de quadrilha, se candidatava a conselheiro do Tribunal de Contas.
Quando comecei a escrever sobre o impacto que seu discurso causa em quem assiste, achei que seria possível transmiti-lo aqui, em palavras envolvidas pelo manto da crônica. Mas não, não parece ser possível. Melhor é recomendar um acesso ao canal de vídeos e assistir; uma, duas, dez vezes. A força das palavras da deputada é tão grande, tão avassaladora, que além de decidirmos pela repercussão dela em nosso programa de rádio, entendi que deveria escrever algo sobre o que vi e ouvi.
Há muito tempo não via um discurso assim. Sempre admirei os grandes oradores. Muitos dos quais, mesmo com argumentos mais rebuscados, me impressionam pelo que disseram; no improviso ou com base em letras escritas para ficar na história. Mas a deputada Cidinha, ao gritar contra o que chama de canalhas consagrados, deputados associados a uma camarilha, faz um discurso em outro tom. Outro ritmo. Outra dimensão. Ela não nos chama à reflexão ou ao debate. Nem nos convida para entrar na sala de estar e fumar um charuto enquanto discutimos o rumo da política vigente. A deputada rasga verbos e adjetivos. Escancara podridão e raspa a lama das paredes da Casa de Leis onde exerce seu mandato. Ela não parece ter medo. Ao contrário. Parece querer nos dizer, aos brasileiros de qualquer canto, que não é para termos medo. Afinal, a quadrilha que ela condena lá, tem extensões pelos ambientes do poder em todo lugar.
Fizemos do programa na quarta feira de um 14 de dezembro chuvoso, um desabafo de quatro comentaristas calados, com voz de uma mulher entristecida pela sujeira e enlouquecida pela revolta. Ela falou mais uma vez... graças às ondas do rádio, que replicaram para Rondônia e via internet para tantos outros milhares. E vai falar ainda muitas outras vezes. Tantos forem os cliques on line, em busca de desabafos que possam lavar um pouco nossa alma. Pode até ser que não nos redima, nem nos salve. Mas já é um começo. Pena que existam tão poucas Cidinhas em nossos parlamentos. Pena que existam tantos canalhas dentro das urnas...
Quando comecei a escrever sobre o impacto que seu discurso causa em quem assiste, achei que seria possível transmiti-lo aqui, em palavras envolvidas pelo manto da crônica. Mas não, não parece ser possível. Melhor é recomendar um acesso ao canal de vídeos e assistir; uma, duas, dez vezes. A força das palavras da deputada é tão grande, tão avassaladora, que além de decidirmos pela repercussão dela em nosso programa de rádio, entendi que deveria escrever algo sobre o que vi e ouvi.
Há muito tempo não via um discurso assim. Sempre admirei os grandes oradores. Muitos dos quais, mesmo com argumentos mais rebuscados, me impressionam pelo que disseram; no improviso ou com base em letras escritas para ficar na história. Mas a deputada Cidinha, ao gritar contra o que chama de canalhas consagrados, deputados associados a uma camarilha, faz um discurso em outro tom. Outro ritmo. Outra dimensão. Ela não nos chama à reflexão ou ao debate. Nem nos convida para entrar na sala de estar e fumar um charuto enquanto discutimos o rumo da política vigente. A deputada rasga verbos e adjetivos. Escancara podridão e raspa a lama das paredes da Casa de Leis onde exerce seu mandato. Ela não parece ter medo. Ao contrário. Parece querer nos dizer, aos brasileiros de qualquer canto, que não é para termos medo. Afinal, a quadrilha que ela condena lá, tem extensões pelos ambientes do poder em todo lugar.
Fizemos do programa na quarta feira de um 14 de dezembro chuvoso, um desabafo de quatro comentaristas calados, com voz de uma mulher entristecida pela sujeira e enlouquecida pela revolta. Ela falou mais uma vez... graças às ondas do rádio, que replicaram para Rondônia e via internet para tantos outros milhares. E vai falar ainda muitas outras vezes. Tantos forem os cliques on line, em busca de desabafos que possam lavar um pouco nossa alma. Pode até ser que não nos redima, nem nos salve. Mas já é um começo. Pena que existam tão poucas Cidinhas em nossos parlamentos. Pena que existam tantos canalhas dentro das urnas...
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Coluna para cadernos de esporte 31 outubro 2011
Gato por...
Uma breve passada pelo elenco do Palmeiras já seria suficiente para encher um Parque inteiro de esperança. O Verdão tem Cicinho, Tinga, Rivaldo, Fernandão... Tem até um Patrick Vieira. O problema é que são todos genéricos. Não tem original. Atletas com nomes de jogadores consagrados no Brasil e no mundo, mas que no Palestra apenas desempenham a função de cumprir tabela.
Lebre
Muito pouco para um time acostumado a títulos. Mas o suficiente para Felipão botar o bigode de molho. Eis aí alguém que precisa assumir uma parcela da culpa. Para de apontar a arbitragem, jogadores e o azar como os principais vilões. Passa pelo comando técnico o problema que nasceu nos gabinetes do clube.
Bom, mas...
Ficamos atrás de Cuba e atrás de nós mesmos no Pan de Guadalajara. O Brasil, com suas 48 medalhas de ouro, conquistou 6 a menos do que no evento do Rio, quatro anos atrás. De qualquer modo continua na frente do Canadá, que sempre superou os brasileiros em competições das Américas. O que ainda é pouco...
Podia ser melhor
Um país com sonho olímpico não pode ser conformar com derrotas que pareciam vitórias garantidas e fracassos que se repetem por conta da falta de investimentos. Claro que é importante o apoio que o Governo e algumas marcas tem dado a pelo menos 100 atletas de ponta. Mas num país de 200 milhões, esse número é gota d'água.
2012
Principalmente porque nas Olimpíadas os nossos adversários não serão vizinhos que falam espanhol apenas. Mas algumas das grandes potencias do esporte, cujas marcas em algumas modalidades ainda são um sonho de consumo da maioria de nossos atletas.
Valeu ouro
O que valeu mesmo foi a grande cobertura da Record e algumas surpresas que o esporte reservou pra gente. Sem contar que em algumas modalidades, como Vôlei por exemplo, o Brasil mostrou que tem uma gereção nova com possibildiade de manter a hegemonia por um bom tempo.
Sapecada
Sim, é verdade. Ronaldinho Gaúcho teria dito que acordou com um gosto de mate amargo na boca...
Uma breve passada pelo elenco do Palmeiras já seria suficiente para encher um Parque inteiro de esperança. O Verdão tem Cicinho, Tinga, Rivaldo, Fernandão... Tem até um Patrick Vieira. O problema é que são todos genéricos. Não tem original. Atletas com nomes de jogadores consagrados no Brasil e no mundo, mas que no Palestra apenas desempenham a função de cumprir tabela.
Lebre
Muito pouco para um time acostumado a títulos. Mas o suficiente para Felipão botar o bigode de molho. Eis aí alguém que precisa assumir uma parcela da culpa. Para de apontar a arbitragem, jogadores e o azar como os principais vilões. Passa pelo comando técnico o problema que nasceu nos gabinetes do clube.
Bom, mas...
Ficamos atrás de Cuba e atrás de nós mesmos no Pan de Guadalajara. O Brasil, com suas 48 medalhas de ouro, conquistou 6 a menos do que no evento do Rio, quatro anos atrás. De qualquer modo continua na frente do Canadá, que sempre superou os brasileiros em competições das Américas. O que ainda é pouco...
Podia ser melhor
Um país com sonho olímpico não pode ser conformar com derrotas que pareciam vitórias garantidas e fracassos que se repetem por conta da falta de investimentos. Claro que é importante o apoio que o Governo e algumas marcas tem dado a pelo menos 100 atletas de ponta. Mas num país de 200 milhões, esse número é gota d'água.
2012
Principalmente porque nas Olimpíadas os nossos adversários não serão vizinhos que falam espanhol apenas. Mas algumas das grandes potencias do esporte, cujas marcas em algumas modalidades ainda são um sonho de consumo da maioria de nossos atletas.
Valeu ouro
O que valeu mesmo foi a grande cobertura da Record e algumas surpresas que o esporte reservou pra gente. Sem contar que em algumas modalidades, como Vôlei por exemplo, o Brasil mostrou que tem uma gereção nova com possibildiade de manter a hegemonia por um bom tempo.
Sapecada
Sim, é verdade. Ronaldinho Gaúcho teria dito que acordou com um gosto de mate amargo na boca...
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