quarta-feira, 21 de junho de 2017


Sala negra



Não era a trilha sonora ou as imagens, eu estava preso  àquele  filme por outra razão. O fato de ser fã do Ricardo Darin também pode ter influenciado, mas já vi outros filmes dele e nem todos foram capazes de me colar na poltrona. Se eu estivesse em casa, pensei depois, controle remoto, banheiro, pipoca, temperatura do ar, nada teria força para me sacar dali. É mesmo uma daquelas películas mágicas. Estou falando de Neve negra, dirigido por Martin Hodara. Além do ídolo Darin, Leonardo Sbaraglia e Laia Costa estão, como dizem os hermanos, bárbaros.

Não vou contar pedaços da história, até porque não dá para fazer isso direito. Ela é toda emendada e remendada e nem um pouco clichê ou previsível.  Olhares fortes, expressões densas, humor morto no passado, um drama humano batendo em nossa cara. Saber mexer com personagens que se tornam capazes de nos anestesiar é coisa para poucos. O cinema faz isso em alguns momentos. Com Neve negra fez comigo o tempo todo.

Me lembro  de ter sofrido deste “mal” com Incêndios, de David Villeneuve, mas essa é uma outra história cinematográfica. Aliás, Netflix, o que fizeram com esse filme, onde o engavetaram, pegou fogo??

Voltando à Neve, quis colocar aqui o que senti durante e depois do filme, em função desse incômodo bom que filmes bons nos trazem. É incrível como mesmo sabendo que foi filmado, gravado, produzido, vendido, distribuído, um trabalho exibido na sala escura do cinema pode ser tão poderoso assim.
Claro que alguns  tem o poder de nos fazer ir embora antes do fim e perguntar porque não gastamos o dinheiro numa coisa mais saborosa no shopping. Mas esse filme não. Ele entrou numa prateleira do meu gosto pessoal que andava meio empoeirada. Foi um soco no estômago. Que aliás estava vazio; não lembrei de comer nada durante...


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